Gambá abre seleção de consultoria para elaboração de Plano Municipal de Mata Atlântica

O Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ seleciona pessoas jurídicas, sejam empresas ou organizações não-governamentais da área ambiental, para prestar serviço de consultoria na elaboração de Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica em Ilhéus. As ações serão desenvolvidas dentro do projeto realizado pelo GAMBÁ, com recursos do Ministério do Meio Ambiente, através da Chamada 9 – Projetos Demonstrativos/PDA. O prazo para envio de propostas de consultoria técnica é até o dia 2 de setembro de 2011.
A instituição selecionada será responsável por elaborar um plano de conservação da Mata Atlântica em Ilhéus, sob supervisão do GAMBÁ. Todo trabalho será realizado de forma articulada e em parceria com a prefeitura municipal, Conselho Municipal de Meio Ambiente e organizações locais da área socioambiental.
Para participar, os interessados devem mandar o currículo da instituição e uma carta de intenções, apresentando sua experiência profissional, conhecimento sobre o bioma da Mata Atlântica e porque teria interesse em atuar nesse projeto. Também é necessário o envio do currículo dos técnicos da empresa ou organização não-governamental, que estarão diretamente envolvidos com as ações do projeto. Os documentos deverão ser enviados por email para renato@gamba.org.br ou ananda@gamba.org.br. Maiores informações podem ser obtidas nestes próprios endereços eletrônicos, ou pelo telefone (71)3240-6822.

Gambá e Instituto Bioeste promovem palestra sobre Lei da Mata Atlântica

Quando pensamos na região de Barreiras nem sempre lembramos que esta é uma área que tem presença do bioma Mata Atlântica. Para refletir sobre a aplicação da Lei da Mata Atlântica nessa área, o Instituto de Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável do Oeste da Bahia – Instituto Bioeste e o Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá promovem a palestra: Lei da Mata Atlântica – Áreas de Aplicação na Bahia, na próxima quinta-feira, dia 25 de agosto, 14h. O evento acontecerá Casa do Meio Ambiente de Barreiras, na Sede do INEMA.

A Bahia é o terceiro estado em número de pessoas vivendo em áreas de Mata Atlântica: são mais de 11,3 milhões de pessoas em 329 municípios. Mesmo reduzida a menos de 35% de sua abrangência original (segundo dados de 2006 do MMA/Probio), a Mata ainda contribui de forma decisiva para a qualidade de vida, economia e paisagem, inclusive em Salvador.

Ilhéus e Glória do Goitá contarão com apoio do Gambá para implementar Planos de Conservação da Mata Atlântica

Os municípios de Ilhéus (Bahia) e Glória do Goitá (Pernambuco) foram selecionados na chamada pública realizada pelo Gambá para participar do projeto de Capacitação e Implementação de Planos Municipais de Conservação e Recuperação de Mata Atlântica no Nordeste. A escolha foi feita a partir de uma avaliação conjunta do Conselho Gestor do Projeto, composto pela Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente – ANAMMA, Prefeitura Municipal de João Pessoa, Fundação SOS Mata Atlântica e ONGs filiadas à Rede de Mata Atlântica – RMA na Região (IESB – BA, Flora Brasil – BA, SNE – PE, APAN – PB, ASPOAN – RN, Instituto Ambiental de Estudos e Assessoria – CE). A partir de agora, o Gambá vai iniciar o processo de planejamento para construção dos planos nesses municípios.

Na Bahia, doze cidades demonstraram interesse em participar do projeto e em Pernambuco, sete municípios atenderam à chamada. Glória do Goitá possui um conjunto de ações ambientais integradas em processo de realização no município, além de vir atuando de forma articulada com a ANAMMA, o que garante melhores condições para efetivação do Plano Municipal de Mata Atlântica. Município de médio porte, Ilhéus possui um Conselho Municipal de Meio Ambiente atuante e participativo, além de possuir informações sobre a realidade da mata atlântica na região, o que garantirá condições para realização do plano de conservação e tem um diálogo iniciado com a ANAMMA.

Este projeto é realizado pelo Gambá, com recursos do Ministério do Meio Ambiente, através da Chamada 9 – Projetos Demonstrativos/PDA. A partir de agora, será elaborado o plano de conservação da Mata Atlântica nessas regiões, seguido de um processo de capacitação dos atores sociais para multiplicação de práticas de preservação da Mata Atlântica. 

Operação Corcel Negro 2 combate produção e comércio ilegal de carvão

A emissão ilegal de licenças para desmatamentos e a concessão e emissão de créditos de carbono que viabilizavam a produção, a comercialização e o transporte de carvão já eram crimes conhecidos dos ambientalistas baianos, há anos. Essas práticas deixam impactos irreparáveis tanto no meio ambiente quanto nas comunidades onde elas são realizadas: milhares de hectares de terra devastada, de forma criminosa, a degradação da mata atlântica, caatinga e cerrado, além da violência, péssimas condições de trabalho e exploração do trabalho infantil e adolescente. Mais uma vez, uma operação conjunta do Ibama, da Polícia Rodoviária Federal, do Ministério Público Estadual (MPE), com as secretarias estaduais da Segurança Pública (SSP) e de Meio Ambiente (Sema), foi deflagrada para combater a esses crimes. Essa é a Operação Corcel Negro 2. O MPE já trata do assunto desde 2007 e esta investigação foi iniciada há pouco mais de um ano, com base em dados materiais, em elementos de escuta autorizada e depoimentos de testemunhas.

A Operação Corcel Negro 2 cumpriu 21 mandados de prisão no interior do estado baiano no dia 22 de julho e agiu de forma articulada com autoridades de Minas Gerais, onde o crime também era realizado para abastecer a indústria siderúrgica local. Estão envolvidos funcionários, fiscais e gestores públicos, consultores, policiais, fazendeiros, parlamentares, grandes empresários e comerciantes. As áreas desmatadas entre Bahia e Minas Gerais são equivalentes a 18 mil campos de futebol.

O Gambá acredita que iniciativas como essas são imprescindíveis para coibir quadrilhas que usurpam o meio ambiente, destroem matas e florestas de forma criminosa, em nome de um enriquecimento ilícito. Os impactos causados pela produção ilegal de carvão não são apenas ambientais, mas também sociais, mantendo em condição de extrema pobreza os trabalhadores que operam nessa produção, muitas vezes envolvendo crianças e adolescentes nessa atividade – cujos prejuízos à saúde podem comprometer definitivamente seu desenvolvimento.

O movimento socioambiental baiano deseja e espera que as autoridades baianas e mineiras, mantenham esse esforço conjunto, façam cumprir a lei, responsabilizando os envolvidos nesses crimes e que a Operação Corcel 2, tenha continuidade e alcance como resultados o desmonte desta organização criminosa e o fim do desmatamento ilegal.

Mais informações, acesse o vídeo, de aproximadamente 10 minutos, com a reportagem da Globo News sobre o assunto:
http://g1.globo.com/videos/globo-news/globo-news-documento/v/operacao-da-policia-federal-desarticula-quadrilha-de-comercio-ilegal-de-carvao/1581958/

Lei Estadual de Meio Ambiente não reflete opinião dos movimentos socioambientais baianos

Descontentamento. Essa é a palavra que define o processo de discussão sobre os projetos de Lei das Políticas Estaduais de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, desencadeado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia. Os representantes da sociedade civil no Conselho Estadual de Meio Ambiente – CEPRAM e no Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CONERH manifestaram publicamente a insatisfação com a condução da construção dos projetos de lei, que vem acarretando enfraquecimento na força e poder de decisão dos conselhos.

O exemplo mais significativo das perdas acarretadas pelas novas políticas em processo de formatação é a retirada do caráter licenciatório que o CEPRAM possuía, concentrando todas as deliberações de licenças no Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA.

A metodologia, adotada pela Secretaria dentro dos conselhos, inviabilizou discussão ampla das propostas dentro do Conselho, tornando o processo acavalado e deixando as decisões nas mãos do secretário, Eugênio Spengler. Esse formato desrespeitou totalmente o caráter deliberativo dos conselhos, assistindo ao enfraquecimento da qualidade da participação da sociedade civil. O Cepram nasce com a função, garantida pela Constituição Estadual, no art. 212, de formular a Política Estadual de Meio Ambiente e Proteção da Diversidade.

A Secretaria parece ignorar que a participação política e social não é uma concessão que o estado faz à sociedade. A participação é um direito conquistado com uma luta histórica, garantido por constituição e um princípio do estado democrático brasileiro. E é o espaço do conselho o guardião dessa participação, que não é só de aceitação, mas de discussão, construção e especialmente decisão.

Está suspenso o licenciamento ambiental para ampliação da Veracel

O licenciamento ambiental para ampliação do plantio de eucalipto da Veracel Celulose foi suspenso no dia 9 de agosto, por ordem da juíza federal Roberta Rodrigues do Nascimento, do Tribunal Regional da 1ª. Região, da vara única de Eunápolis. A duplicação da monocultura de eucalipto tramita no Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – Inema e estava em pleno processo de audiências públicas nos municípios de Canavieiras, Porto Seguro, Eunápolis e Itapetinga. As audiências não foram interrompidas, por conta da mobilização já realizada nas regiões a serem afetadas pela ampliação.

A empresa pretende aumentar a atual área de plantio de eucalipto em 107 mil hectares e a sua capacidade de produção de celulose em mais 1,5 milhão de toneladas por ano. Essas obras causam preocupação aos movimentos socioambientais brasileiros por conta dos prejuízos acarretados pela prática de monocultivo de eucalipto, comprometendo significativamente à biodiversidade da região. A juíza levou em consideração os argumentos apresentados pelo procurador Federal, Fernando Zelada e do promotor público estadual, João Alves Neto, apontando irregularidades no processo de licenciamento requerido pela Veracel, para duplicar o empreendimento.

A Rede Brasileira de Justiça Ambiental e o Centro de Estudos e Pesquisa para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia – CEPEDES demonstram preocupação com o licenciamento ambiental das obras, que não revelam os reais problemas que serão gerados pela ampliação da fábrica. O Gambá foi um dos signatários do abaixo assinado, promovido pela RBJA e CEPEDES, e também acredita que a prática de monocultivo de eucalipto compromete significativamente à biodiversidade da região. Confira aqui o abaixo assinado, elaborado pela RJA: http://www.gamba.org.br/site/wp-content/uploads/2011/07/TEXTO-ABAIXO-ASSINADO-VERACEL1.doc

Maior feira de chocolate chega ao Brasil

Confirmado: o Brasil será o primeiro país da América Latina e o primeiro produtor de cacau a receber o Salon du Chocolat, a maior feira de chocolates do mundo. O anúncio – que teve o apoio do governo da Bahia, onde o evento será realizado- aconteceu durante uma breve visita a do organizador das edições internacionais, Genaro Bardy, ao Brasil, há cerca de duas semanas.
O Salon du Chocolat nasceu em Paris em 95 e está consolidado em cidades como Nova York, Xangai e Madri.
Na primeira semana de julho de 2012, produtores de cacau e chocolateiros de dentro e de fora do país estarão reunidos na capital baiana num formato semelhante ao original, incrementado com novidades -e aberto ao público.
Haverá visitas guiadas a fazendas produtoras da região e um fórum inédito para discutir o futuro de chocolate, com participação de cem personalidades da área vindas de diversos países.
“Se o cacau continuar como está, em dez, 15 anos entrará em colapso. Os fazendeiros estão abandonand o as plantações ao redor do mundo”, diz Diego Badaró, da Amma Chocolate, responsável pela chegada da feira. “Hoje, o Brasil é um dos mercados com maior potencial de consumo. Empresas internacionais estão com os olhos voltados para cá.”
São marcas como La Maison du Chocolat, Pierre Hermé e Michel Cluizel, uma das mais respeitadas na França, que sondam o Brasil. Esta última entrou timidamente no território nacional, com produtos à venda na Casa Santa Luzia e já demonstrou interesse em abrir um ponto aqui.
No ano passado, o país recebeu duas grandes marcas com reconhecimento mundial: a belga Barry Callebaut abriu fábrica em Minas Gerais -e espera crescer em torno de 30% em 2011 para acompanhar o aumento da demanda- e a francesa Valrhona, que abriu loja no começo de 2010 em São Paulo, acaba de inaugurar um ponto no shopping Pátio Higienópolis e prevê a abertura de mais uma unidade atà © o fim deste ano.

CACAU BRASILEIRO
Foi a Valrhona, aliás, que ajudou a impulsionar a incorporação de cacau brasileiro por profissionais estrangeiros com o lançamento mundial bem-sucedido de um chocolate com 62% de teor de cacau da região de Ilhéus, no sul da Bahia.
“Os chocolateiros que têm grife na França estão deixando de comprar o chocolate pronto e comprando o cacau para fazer seus próprios chocolates”, diz Cintia Sanches Lima, da Chocolat des Arts, loja dedicada ao produto.
Ao mesmo tempo que o mercado se aquece, o cacau brasileiro dá sinais de renascimento. Isso, depois de ter sido devastado por uma praga (a vassoura-de-bruxa) nos anos 80, e de ter perdido o viço, revelado à exaustão nos relatos de Jorge Amado.
Produtores de Estados como a Bahia, o Pará e o Espírito Santo, no entanto, estão empenhados em resgatar-e estimular- a vitalidade da produção, trazer o homem de volta à terra e preservar a natureza via reflorestamento.

Fonte: Portal Luiz Nassaf – Texto de Luiza Ferracota

Cepemar na Bahia também é criticado na sociedade

A Veracel Celulose contratou a Cepemar, empresa capixaba, para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) em um processo duvidoso, previsto para o Estado da Bahia, conforme denuncia do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes). A informação é que o EIA/Rima “está cheio de vícios e ilegalidades”.

A Veracel é uma associação entre a Aracruz Celulose (50%) e a sueco-finlandesa Stora Enso (50%), que produz celulose branqueada de eucalipto em Eunápolis, no sul da Bahia. Em atividade desde 2005, além de graves impactos ambientais, assim como ocorre no Espírito Santo, a empresa também é acusada de prejudicar as comunidades tradicionais da região, mas quer continuar a expandir seus negócios.

A resistência na região é grande, não apenas pelos atropelos na legislação, mas sobretudo pela falta de diálogo com a sociedade e pelas falhas apresentadas no EIA/Rima, que deixam no ar os verdadeiros impactos sofridos na região.

Por exigência da lei e da própria sociedade, os projetos em licenciamento com alta capacidade de degradação devem ser discutidos através de audiências públicas, mas, segundo o Cepedes, por pressão do governo da Bahia, através da Secretaria de Meio Ambiente, até a Lei Administrativa, que permite aos conselheiros opinarem sobre o licenciamento de novos empreendimentos, foi alterada para garantir o sucesso da Veracel na região.

O processo é fraudulento, denuncia o Cepedes. Conta com o EIA/Rima repleto de ilegalidades e com a alteração da lei, que só permite ao secretário de Meio Ambiente, Eugênio Spengler, opinar sobre a concessão ou não do licenciamento para o empreendimento.

O EIA/Rima baseado em falhas, omissões e ilegalidades, segundo o Cepedes – estudos da Cepemar também já foram duramente criticados no Espírito Santo – deveria, no entanto, apontar os impactos positivos e negativos do empreendimento para a posterior avaliação da viabilidade ou não do empreendimento. Na contramão, o EIA/Rima feito pela Cepemar é na prática objeto de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Estadual (MPE) da Bahia.

Em um cenário de conflito, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cepram) e o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh) também se mostram descontentes com o processo de discussão, com o EIA/Rima e, sobretudo, com as alterações relativas ao ordenamento jurídico ambiental do Estado da Bahia, que tirou, entre outros, o poder licenciatório do Cepram, órgão colegiado e também superior do Sistema Estadual de Meio Ambiente –(Sisema) e que avaliaria o EIA/Rima encomendado pela Veracel.

O processo se assemelha ao caso do estaleiro Jurong, que, após um EIA/Rima omisso, e um laudo técnico do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEma), sofreu intervenção da diretoria do Iema e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, para que o licenciamento não passasse pelo crivo do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). O licenciamento do empreendimento foi aprovado sob protestos pelo Conselho Regional de Meio Ambiente (Conrema III).

Na ocasião do licenciamento da Jurong, a Cepemar já havia sido retirada de cena, já era o fim dos oito anos do governdo comandado por Paulo Hartung no Espírito Santo. Entretanto, no mesmo momento cresceu meteoricamente a empresa de consultoria CTA, tida entre os ambientalistas como um fruto da própria Cepemar.

Empresas responsáveis por detalhar os impactos que serão gerados por grandes empreendimentos, assim como a Cepemar, contribuíram praticamente para que  todas as transnacionais ampliassem seus impactos e ataques a populações tradicionais sem que uma única sanção legal fosse aplicada às empresas, denunciam os ambientalistas capixabas.

Tanto na Bahia quanto no Espírito Santo, as organizações lutam por novas formas de discussão e uma nova avaliação sobre os empreendimentos, mas sem sucesso.

”Assistimos a resistência para não se estruturar uma metodologia de trabalho que pudesse contemplar a real participação das representações, com prazos razoáveis, pedagogicamente mais precisa e de forma a possibilitar a todos os segmentos conhecer e acompanhar as contribuições dos demais”, diz a denúncia feita pelo Cepedes.

Conforme uma carta assinada por oito entidades da sociedade civil organizada, o que se vê, lá e cá, é que entre a implantação ou expansão de um grande empreendimento, há de fato a subtração do direito de participação da sociedade. Um retrocesso das conquistas ambientais, aponta o Cepedes.

”Não queremos sobrepor a autonomia e a responsabilidade do Estado, respeitamos o sistema, reconhecemos que existem iniciativas muito válidas e que precisam ser levadas a efeito. Nossa postura e papel, como representantes de entidades da sociedade civil, neste momento histórico, visam deixar público para as representações vindouras e para a sociedade como um todo, que discordamos do método de construção deste novo regramento e que nossas contribuições e participação foram pouco consideradas”, diz a carta.

O documento foi assinado pela Associação Cabrália Arte e Ecologia (ASCAE); Associação Rosa dos Ventos; ONG Cajá Verde;  Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá); Grupo de Defesa e Promoção SOcioambiental (Gérmen); Instituto de Ação Ambiental da Bahia (Iamba); Instituto de Defesa, Estudo e Integração Ambiental (Idea) e Propágulos Prum Ambiente Legal (Papamel)/Grupo Ecológico e Humanista Emídio Barreto Neto.

O papel da Cepemar

Em nome dos planos de um desenvolvimento que só beneficiaram as empresas e seus prepostos, o governo do Estado contou com uma figura chave para formar uma rede de articulações de consultoria, que foi o ex-governador do Estado no regime militar, Arthur Carlos Gerhardt Santos.

Ele tem sido um lobista de grande prestígio desde que deixou o comando das antigas Aracruz Celulose (Fibria) e CST (Arcelor Mittal), passando a presidir, na década de 90, o Sindicato do Comércio de Importação e Exportação do Espírito Santo (Sindiex), que reúne as importadoras do amparadas pelo Fundap. E é ele que compõe, com membros de sua família, a ONG Espírito Santo em Ação, a partir de empresas de engenharia (SerEng) e da Cepemar, empresa de consultoria ambiental responsável por legitimar os grande projetos poluidores no Estado.

Fruto de uma antiga relação que começou na prefeitura de Vitória,  com Paulo Hartung, a Cepemar foi fundada por Nelson Saldanha Filho e presidida por Maria da Glória Brito Abaurre, que deixou a empresa para ocupar o cargo de secretária Estadual de Meio Ambiente e,  por extensão, a presidência do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Uma estreita relação que permanece até hoje, como constatado até o fim dos oito anos de mandato de PH.

Responsável pela elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima), a Cepemar funcionou como uma espécie de consórcio entre o poder público e o setor privado. Dos inúmeros projetos e expansões licenciados em oito anos, mais de 50% passaram pela análise de seus técnicos, cujos relatórios constatavam mais impactos positivos do que negativos na construção dos empreendimentos.

A capacidade de intervenção de Gerhardt Santos nessa articulação política e empresarial capixaba pôde ser vista no lobby que ele comandou contra as aldeias indígenas de Aracruz ou nos estudos prévios encomendados pelo governo do Estado para a instalação da Siderúrgica de Ubu, da Vale, no município de Anchieta. Além disso, o ex-governador foi um dos coordenadores da equipe que elaborou o Plano Espírito Santo 2025, tido como principal documento orientador do planejamento estratégico do governo de Paulo Hartung.

Neste contexto, nos últimos oito anos  a Cepemar legitimou, por meio de seus estudos, a expansão da ex-Aracruz Celulose (Fibria), da então Vale do Rio Doce (CVRD) e ex-CST (Arcelor Mittal), entre outras, e o que antes era um grupo pequeno, enriqueceu formando o conglomerado de empresas constituído pela Cepemar Meio Ambiente, Cepemar Service (criada em 2004 e com sede na Flórida), Marlin Azul e a Fundação Promar, esta última com as atividades focadas em projetos sociais, culturais e científicos.

Entre os ambientalistas é consenso: não importa o tamanho do débito ambiental e social da empresa, quando se trata da Cepemar, lá estão os EIAs/Rimas prontos para serem levados às audiências públicas, e submetidos e aprovados pelo Iema. Entretanto, a imagem da empresa finalmente apareceu mal na fita após inúmeras denúncias e a consultoria ambiental vem deixando espaço para uma nova empresa, a CTA, cuja projeção no mercado durante o governo PH também foi meteórica.

Artigo de de Flavia Bernardes

Ministério Público e Ministério do Trabalho levam Operação Corcel Negro para Caetité

Dando continuidade à Operação Corcel Negro, contra desmatadores, carvoeiros e outros responsáveis por grandes impactos sobre as populações e os territórios, uma grande comitiva do Ministério Público e do Ministério do Trabalho visitou ontem Caetité, Bahia. Liderado pela Procuradora Luciana Cury (da área ambiental do MP da Bahia) e pela Procuradoria do MPT de Vitória da Conquista, o grupo visitou as instalações da INB -Indústrias Nucleares Brasileiras e o local de mineração do urânio, contando com a participação, no local, das Polícias Ambiental e Rodoviária, do CREA, IBAMA e FUNASA.

Os dois representantes do Ministério do Trabalho e Emprego interditaram, de imediato, as operações de embalagem do diuranato de amôno (yellow cake), assim como a reembalagem (como ocorreu com a carga de 90 toneladas trazida da Marinha / Aramar em Iperó/São Paulo, que gerou um grande protesto da população da região. Essa operação ocorreu na base da improvisação, tanto que o material está agora em novas bombonas, dentro de containers marítimos armazenados na empresa, aguardando ordem para embarcar para a França.

Também foram lavrados cinco Autos de Infração voltados para a proteção da saúde dos trabalhadores e notificação para a aposentadoria especial aos 20 anos de trabalho, que tem sido sistematicamente negada. Um dos autos é referente a informação das doses a que os trabalhadores têm sido expostos, que também tem sido negada, bem como o direito ao acompanhamento de saúde e tratamento vitaliciamente, conforme previsto na Convenção 115 da OIT-Organização Internacinal do Trabalho.

Fonte: Racismo Ambiental

Cepedes e RBJA questionam licenciamento da expansão de unidade da Veracel

O Centro de Estudos e Pesquisa para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia – CEPEDES, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, denuncia o interesse da Veracel Celulose em ampliar sua fábrica de monocultivo de eucalipto em larga escala no Território de Identidade do Extremo Sul da Bahia. Há preocupação com os impactos ambientais que são decorrentes dessa monocultura.

Durante os 45 dias em que tiveram acesso ao Estudos de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) da Veracel, o CEPEDES trabalhou em conjunto com alguns parceiros, na construção de um parecer técnico que evidencia as falhas e as mentiras do estudo. Paralelo a esse esforço, eles vêm tentando incidir sobre o licenciamento, no sentido de solicitar sua anulação, bem como uma audiência pública em que possam ser visibilizadas as críticas ao projeto.

Diante dos acúmulos que temos quanto às injustiças ligadas aos monocultivos e aos processos pouco rigorosos de licenciamento ambiental, a Rede de Justiça Ambiental convoca os companheiros e companheiras a manifestarem apoio. O Gambá disponibiliza o link para o arquivo do abaixo assinado.

TEXTO ABAIXO ASSINADO – VERACEL